A necessidade de
inclusão social é um sinal da presença
de grupos excluídos, ou seja, pessoas que não
têm acesso aos direitos que pertencem a todos
– educação, saúde, trabalho,
transporte, esporte, cultura e lazer. Apesar da existência
de leis que os garantam, excluem-se pessoas consideradas
diferentes por ações sociais que impedem
o desenvolvimento do universo de direitos e deveres
desses cidadãos. Dentre os indivíduos
excluídos, destacam-se as pessoas com deficiência
física, mental, visual, auditiva ou múltipla.
A palavra portador de deficiência
muito ajuda a inserir o estigma de “pessoa ineficiente”.
Hunt (1998) afirma que a sociedade tende a ver o portador
de deficiência como uma pessoa infeliz, inútil,
diferente, oprimida e doente. A segregação
e estigmatização do deficiente pela
sociedade o levam a condição de incapazes
e fracos, uma vez que não se enquadram nos
moldes produtivos do sistema capitalista (Silva &
Dessen, 2001). Segundo Pastore (2001) confundem-se
as limitações relativas à vida
diária (comer, vestir-se, cuidar da higiene
pessoal, etc.) com as limitações relativas
à vida social (estudar, namorar, trabalhar,
etc). O grande desafio da sociedade contemporânea
é enxergar as pessoas como um todo e não
apenas como portadora de uma determinada limitação
que, pode algumas vezes, desaparecer mediante uma
ação do lado social. Essas ações
por sua vez devem ser estudadas com afinco, de modo
a permitir traçar instrumentos adequados para
a promoção do bem-estar em geral das
pessoas com deficiência. Para tal, é
necessário fazer uso das informações
disponíveis, entendendo como surgem as deficiências,
suas causas, limitações, ampliando o
saber daqueles que as carregam consigo.
Na verdade, alguns dos principais
problemas das pessoas com deficiência têm
origem na sociedade, ou seja, decorrem de barreiras
sociais e não das barreiras funcionais decorrentes
da sua limitação. Por exemplo: uma pessoa
paraplégica estaria impedida de freqüentar
as aulas em uma escola onde não existe rampa
e nem pessoas aptas a ajudá-la com transporte
no trajeto casa-escola-casa. A partir da remoção
dessas barreiras sociais (criação de
condições arquitetônicas, de transporte
e um pouco de solidariedade ou apoio familiar) essa
pessoa passaria a exercer atividades escolares normais,
ou seja, mediantes algumas acomodações,
a pessoa portadora de deficiência sairia da
categoria de desvantagens em relação
as demais.
Em linhas gerais, a inclusão
social da pessoa com deficiência se esbarra
nas barreiras funcionais decorrentes dos problemas
orgânicos e nas barreiras de origem sociais
(preconceito, discriminação e o mito
da ineficiência). Romper essas barreiras, por
nós classificadas, requer esforços políticos
consideráveis.
Em resumo, a deficiência
gera dificuldade ou impossibilidade de execução
de atividades comuns às pessoas que, em muitos
casos, podem ser removidas pelas políticas
públicas e projetos bem estruturados e aplicados.
É nesse sentido que o Instituto
EDUCARE pretende executar o projeto MAIS QUE ESPECIAIS,
que visa implantar essas políticas sociais
a fim de assegurar a PPD os direitos reservados a
todos os cidadãos.
A partir dos tópicos seguintes,
veremos quais os planos de execução
e metodologia que poderão ser aplicadas, bem
como também as parcerias necessárias
e avaliações de resultados.
Anthony Ascendino
Coordenador de Projetos
INSTITUTO EDUCARE |