MAIS QUE ESPECIAIS
A necessidade de inclusão social é um sinal da presença de grupos excluídos, ou seja, pessoas que não têm acesso aos direitos que pertencem a todos. Apesar da existência de leis que os garantam, excluem-se pessoas consideradas diferentes que impedem o desenvolvimento de direitos e deveres desses cidadãos.

16/02/2007
   
A necessidade de inclusão social é um sinal da presença de grupos excluídos, ou seja, pessoas que não têm acesso aos direitos que pertencem a todos – educação, saúde, trabalho, transporte, esporte, cultura e lazer. Apesar da existência de leis que os garantam, excluem-se pessoas consideradas diferentes por ações sociais que impedem o desenvolvimento do universo de direitos e deveres desses cidadãos. Dentre os indivíduos excluídos, destacam-se as pessoas com deficiência física, mental, visual, auditiva ou múltipla.

A palavra portador de deficiência muito ajuda a inserir o estigma de “pessoa ineficiente”. Hunt (1998) afirma que a sociedade tende a ver o portador de deficiência como uma pessoa infeliz, inútil, diferente, oprimida e doente. A segregação e estigmatização do deficiente pela sociedade o levam a condição de incapazes e fracos, uma vez que não se enquadram nos moldes produtivos do sistema capitalista (Silva & Dessen, 2001). Segundo Pastore (2001) confundem-se as limitações relativas à vida diária (comer, vestir-se, cuidar da higiene pessoal, etc.) com as limitações relativas à vida social (estudar, namorar, trabalhar, etc). O grande desafio da sociedade contemporânea é enxergar as pessoas como um todo e não apenas como portadora de uma determinada limitação que, pode algumas vezes, desaparecer mediante uma ação do lado social. Essas ações por sua vez devem ser estudadas com afinco, de modo a permitir traçar instrumentos adequados para a promoção do bem-estar em geral das pessoas com deficiência. Para tal, é necessário fazer uso das informações disponíveis, entendendo como surgem as deficiências, suas causas, limitações, ampliando o saber daqueles que as carregam consigo.

Na verdade, alguns dos principais problemas das pessoas com deficiência têm origem na sociedade, ou seja, decorrem de barreiras sociais e não das barreiras funcionais decorrentes da sua limitação. Por exemplo: uma pessoa paraplégica estaria impedida de freqüentar as aulas em uma escola onde não existe rampa e nem pessoas aptas a ajudá-la com transporte no trajeto casa-escola-casa. A partir da remoção dessas barreiras sociais (criação de condições arquitetônicas, de transporte e um pouco de solidariedade ou apoio familiar) essa pessoa passaria a exercer atividades escolares normais, ou seja, mediantes algumas acomodações, a pessoa portadora de deficiência sairia da categoria de desvantagens em relação as demais.

Em linhas gerais, a inclusão social da pessoa com deficiência se esbarra nas barreiras funcionais decorrentes dos problemas orgânicos e nas barreiras de origem sociais (preconceito, discriminação e o mito da ineficiência). Romper essas barreiras, por nós classificadas, requer esforços políticos consideráveis.

Em resumo, a deficiência gera dificuldade ou impossibilidade de execução de atividades comuns às pessoas que, em muitos casos, podem ser removidas pelas políticas públicas e projetos bem estruturados e aplicados.

É nesse sentido que o Instituto EDUCARE pretende executar o projeto MAIS QUE ESPECIAIS, que visa implantar essas políticas sociais a fim de assegurar a PPD os direitos reservados a todos os cidadãos.

A partir dos tópicos seguintes, veremos quais os planos de execução e metodologia que poderão ser aplicadas, bem como também as parcerias necessárias e avaliações de resultados.

Anthony Ascendino
Coordenador de Projetos
INSTITUTO EDUCARE

 

 
 
 
 

 

 

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